DIÁRIO DA ITÁLIA


Primeira vez

Ainda nao serà desta vez que votarei na Italia. Por ter me tornado cidada italiana hà poucas semanas, ainda nao recebi meu titulo de eleitora que me chegarà em casa somente dentro de dois meses. Por conta disto, perderei a chance de votar no Referendum do pròximo domingo sobre a Constituiçao. A direita vai com o Sim e a esquerda com o Nao... Pelas ruas cartazes de "Finalmente donos de nossa pròpria casa", referindo-se às modificaçoes na Constituiçao que dariam mais poderes às regioes, tornando-as de certa maneira muito mais independentes economicamente. Bom para o Norte... nao muito para o Sul... Por que serà que sempre hà essa diferença entre os povos do norte com o do sul? De qualquer forma, tenho meu voto decidido, mas ainda nao serà desta vez.

Escrito por Sofia às 06h21 AM
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Ainda algumas coisas

Veneza ainda por conhecer melhor. Veneza nao é sò mascaras de carnaval, nao é somente canais e Gondolas... muita historia desconhecida ainda. Em setembro-outubro serà a època das mares altas... veremos a Piazza de San Marco alagada...

CIAO...

Escrito por Sofia às 06h46 AM
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Vamos a mais algumas palavrinhas

Depois de muitas coisas a serem resolvidas para uma sobrevivencia por aqui, alguns passeios também foram feitos e principalmente a Veneza, que està a apenas meia hora daqui, onde jà decidimos ser nosso ponto de fuga para futuros dias de folga. Cada visita uma supresa interessante, caminhadas lindas e gondolas para se enamorar nelas e por elas! A Praça de Sao Marcos, sempre... nunca deixar de estar nela e vislumbrar o Palacio Ducale. E uma das primeiras descobertas gastronomicas por là foi a torta de pistache. Verdinha... saborosa e carissima!! A cada passeio faço um balanço de coisas boas e um lista para retomar em dias futuros, para apresentar a pessoas que tanto amo e que um dia estarao aqui conosco para desfrutarmos juntos das maravilhas do Veneto que apenas descobrimos...


CIAO...

Escrito por Sofia às 06h10 AM
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Umas palavras novas... ou nao...

Afinal aqui estamos na Italia. Hoje faz exatamente dois meses que chegamos para começarmos uma nova etapa. Muitas novidades e imprevistos jà aconteceram em tao pouco tempo. Mas afinal, nao se pode dizer que seja pouco tempo quando se està sempre em movimento. Os detalhes me angustiam um pouco em contar. Muita burocracia, muitos papéis... mas também muitas pessoas boas que nos ajudaram e continuam a nos ajudar. Parentes distantes reencontrados, amigos que começamos a fazer, pessoas maravilhosas jà em nossas vidas, seja por pouco tempo ou para sempre, nao sabemos. Muitas duvidas ainda. A unica certeza é de que fizemos a coisa certa, é que estou finalmente encontrando um fio condutor de algo que vislumbro e que logo pretendo nomear... quem sabe uma nova identidade que tomo emprestada do passado. E por falar em nova identidade, jà posso dizer que minha nova identidade começou hà um mes com minha cidadania italiana reconhecida e devidamente regularizada! Agora sim começa uma nova etapa!

CIAO...

Escrito por Sofia às 12h11 PM
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Para-quedas

Três dias...

E quanto mais o tempo passa, mais tomo meu tempo para pensar em como tudo está se tornando estranho para mim. A cada dia que fico mais perto do passado retomado, mais tenho a certeza de que estou deixando para trás uma outra pessoa, parecida a mim, mas que não sou eu. Às vezes penso que possa ser uma certa neurose às avessas do que passei como estrangeira num país onde vivi por alguns anos, cujas experiências foram das mais variadas e inesquecíveis... para bem e para mal... Corro o risco de crer que tudo inevitavelmente terá que dar certo. Mas inevitavelmente terei que fazer dar certo!

Estou em outra história já... Não é apenas um novo capítulo... não é apenas uma virada de página... é uma volta ao futuro que nem meus pais, nem meus avós  e tenho certeza que nem meu querido bisnono nunca considerou como parte de sua realidade... Estou voltando!

 

PS: ... e não pense que não agradeço a todos os "pára-quedas" que conheci pelo caminho dessa história... mas às vezes não se pode mesmo responder ou dizer o quanto se deveria dizer... sem palavras... apenas dizer... apenas se lembrar...

CIAO...



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 11h22 PM
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CADEIA DE COMANDO

Se ainda precisa se convencer, então leia Cadeia de comando - A guerra de Bush do 11 de setembro às torturas de Abu Ghraib de Seymour Hersh, jornalista estadunidense premiado com o Pulitzer por seu jornalismo investigativo sobre o massacre de Mi Lai no Vietnã e que desde então tem sido uma "pedra no sapato" na divulgação de "furos" sobre a política dos Estados Unidos.

Desconcertante.



Categoria: Resenhas
Escrito por Sofia às 06h44 PM
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Boas notícias

... no fundo tudo é uma questão de fé e de olhar com calma para tudo... a direção não precisa ser mudada mas o ângulo sempre é bom tentar o maior número deles!

CIAO...



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 08h56 PM
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Girassóis

Contar e recitar dias inteiros de pensamentos presos ainda numa única cor: amarelo. E depois de tudo ainda saber seu perfume.



Categoria: Poucas palavras
Escrito por Sofia às 11h13 PM
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Caixas

Todas elas devidamente lacradas para um futuro próximo. Próximo o bastante para que o cheiro de café chegue aos meus sentidos tão logo me desperto pela manhã e no entanto, ninguém o prepara tão bem.

 



Categoria: Poucas palavras
Escrito por Sofia às 11h23 PM
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FALANDO DE FANTASMAS

Não pertencer a nenhum lugar é de alguma maneira pertencer a todos fluidamente, como um bom fantasma deve fazer. Estar e não estar presente. Provocar lembranças e curiosidades: De onde vem? Por que está aqui? Eis uma experiência de ausência. De alguma forma, sempre provocamos uma falta e nos tornamos um pocuo fantasmas.

CIAO...



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 11h08 PM
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Volta

Olhou aquele olhar e soube que o tempo já havia apagado tudo, menos o perfume de sua história.



Categoria: Poucas palavras
Escrito por Sofia às 01h18 AM
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Ou ser estrangeiro?

Estar estrangeiro nos dá o privilégio de nos disfarçarmos um pouco no dia-a-dia. Andar pelas ruas e estar no anonimato, ou ao contrário, justamente ter a possibilidade de despertar e observar por nós mesmos o que nos rodeia, sem história recente que nos conduza a mais um dia de atos e palavras já tantas vezes ensaiadas e repetidas.

Por outro lado, longe de tudo que nos é conhecido e que poderia identificar-nos, podemos finalmente gritar com nossa voz sufocada desde sempre. Mas a diplomacia das ruas pede que façamos um pouco de silêncio e sussurremos. E se nossa fisionomia revela de onde viemos, então já não podemos nos esconder.

CIAO...

 



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 12h53 AM
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ESTAR ESTRANGEIRO

Já estive estrangeira por algum tempo e apesar dos efeitos terem sido em muito amenizados por vários fatores favoráveis, foi um período de muita reflexão comigo mesma, com meus valores e minha formação. Descobri que entre estar e ser estrangeiro há uma grande distância que requer muita sensibilidade nas ruas, nos olhares com quem conversamos, na comida que provamos pela primeira vez, na música do idioma maluco que ouvimos o dia todo na nossa cabeça.

Estive estrangeira por duas vezes num espaço de dez anos. A primeira mergulhada num idioma próprio de neuróticos e filósofos taciturnos e cheios de regras até mesmo para se andar pelas ruas (nunca pegue a esquerda se acontecer de topar com alguém de frente, coisa que sempre nos acontece nas ruas movimentadas... tome a direita e nem olhe para a cara de um alemão se isso ocorrer, fique na sua e não vá dizer como aquela velhinha carioca que depois de vai-pra-cá vai-pra-lá diz para o senhor de meia idade: Obridada por dançar comigo nessa linda manhã!... ninguém iria entender sua poesia!). Pois na segunda vez que estive estrangeira, o idioma já não assustava e o machismo já era conhecido. Três anos experimentando olhares acusadores de vez enquando, principalmente quando a vantagem estava comigo. Há quem não suporte ver o "outro" em visível vantagem vivencial... e no entanto não fazem nada para sairem de suas vidas sem sentido e hipotecas infinitas.

Não sei se me sentirei estrangeira nessa nova etapa. Será um desafio. Será uma nova experiência que não trocaria por nada.

CIAO...



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 02h56 PM
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Descobertas

Uma  nova cidadania não será um acontecimento tão simples assim. Terei uma nova identidade, mesmo que os mais puristas possam me dizer que isso é imaginação para bem ou para mal. Algo novo passa a surgir no que poderei ou não fazer daqui para frente e isso não dá para negar. Quanto à nova identidade... essa estou descobrindo aos poucos.

CIAO...



Categoria: Diário de viagem
Escrito por Sofia às 08h18 AM
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Rosa Montero e La Loca de la casa

   Há dois anos que descobri a escritora e jornalista espanhola do EL Pais, com seu livro encantador La loca de la casa. Naqueles dias, eu estava apenas começando a me envolver na literatura chamada pejorativamente feminina, embora a diferença entre essa e outras literaturas seja tão complexa que não poderia nem mesmo começar a argumentar aqui. De fato, minhas leituras de Isabel Allende para então terminar minha tese doutoral em Estética da Recepção, tiveram uma pausa significativa e produtiva para a descoberta da obra de Rosa Montero. A principal característica que me chamou a atenção foi a força de suas reflexões quanto à produção artística, e em especial à literária por parte das mulheres e sua certeza de que devemos, nós como mulheres, descobrir o mundo e nomeá-lo da nossa maneira para estarmos em igualdade de representação com o mundo nomeado e controlado pelo ser masculino. Nossos horizontes e nossos anseios como seres vivos está de maneira intrínseca ligada à forma como o mundo se vê e ele, sem dúvida se vê de maneira muito masculina.

Sentir, experimentar e finalmente nomear expressando-nos, é a maneira mais sensivelmente feminina de se fazer literatura feminina, e de sem dúvidas alcançarmos algum poder sobre nós mesmas.

Por tudo isso, por essa admiração pela escritora e representatividade dessas reflexões, que me deixei levar pelo entusiasmo e não pude perder novamente uma palestra sua. A primeira vez em Santander, por conta de um mal entendido de datas, mas desta vez, aqui pertinho, no Anhembi, na Bienal do Livro de São Paulo, pude ouvir e conhecer finalmente Rosa Montero sobre quem, com prazer e admiração, escrevi um ensaio em 2004.

 



Categoria: Resenhas
Escrito por Sofia às 03h39 PM
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